Hoje sai da escola onde trabalho e fiquei esperando a chuva passar. Gosto da chuva por vários motivos: um deles é que considero um momento de alívio diante do calor absurdo da minha cidade. A chuva de hoje estava bem forte e eu estava como de costume de bicicleta. Detesto chegar em casa com a camiseta lamiadas de barro vermelho das ruas (eu queria uma bicicleta de velho, aquelas com pâra-lama). Além disso, havia jogado futebol com os meninos da oitava série minutos antes. Meu corpo ainda estava quente.
Enquanto esperava respeitosamente a chuva, eu conversava com um colega da escola que há tempos também é um colega da cena de rock underground de Ribeirão Preto. Uma figura misteriosa que tenho grande respeito. Desde moleque ele toca em bandas de rock, no entanto suas bandas nunca foram enquadradas entra as mais "bem sucedidas" da cena independente ribeirão-pretana. Sabe que tem muito isso na cena independente? Mesmo que a necessidade de ter uma banda seja expressar conflitos e anseios internos, livres de padrões pré-estabelecidos (ou uma liberdade que te dá direito de ao menos escolher um padrão que você julgue coerente pra você mesmo), mesmo que o entusiasmo deva suprir a técnica, muitos meninos rebeldes transformam suas bandas em quase empresas que buscam a todo custo um espaço no "mercado".
Esse colega sempre fez suas próprias bandas. Nunca esteve preso a estética de um movimento. Sempre escreveu suas tensões mais profundas nas letras dessas bandas e sempre cantou suas canções como um lamento. Querer mostrar aos outros esse lamento foi a coisa mais corajosa que esse rapaz já fez na vida. Ele confessou que adora tocar e sentir essa comunicação. Sei muito bem que quando ele canta suas melodias sombrias, ele está se comunicando consigo mesmo. Mas consegue sim estender esse grito a outros. O problema é que muitos outros nem sabem o que querem. Estou numa balada noturna, sempre alegres...
Eu disse isso a ele. Disse que por mais que eu também tenha respeito a uma canção que escrevo ou canto, o ambiente onde geralmente se apresenta essas manifestações é deprimente. As pessoas estão buscando a sobrevivência. Pra que reagir se é mais seguro ficar observando? Quando a polícia te dá um "enquadro" numa esquina da tua cidade e desrespeita um amigo teu com tapas e socos, você vai ficar calado pois é mais seguro. Qualquer reação significa piorar a situação...
Esse colega perguntou se eu busco outra forma de expressão e sugeriu um blog.
Desci a rua lamiada e debaixo de chuva depois dessa conversa. Fui pra casa triste por entender que há momentos na vida em que acaba o entusiasmo de conversar com o mundo. De fato só sobra a comunicação desesperada com a gente mesmo.
Enquanto esperava respeitosamente a chuva, eu conversava com um colega da escola que há tempos também é um colega da cena de rock underground de Ribeirão Preto. Uma figura misteriosa que tenho grande respeito. Desde moleque ele toca em bandas de rock, no entanto suas bandas nunca foram enquadradas entra as mais "bem sucedidas" da cena independente ribeirão-pretana. Sabe que tem muito isso na cena independente? Mesmo que a necessidade de ter uma banda seja expressar conflitos e anseios internos, livres de padrões pré-estabelecidos (ou uma liberdade que te dá direito de ao menos escolher um padrão que você julgue coerente pra você mesmo), mesmo que o entusiasmo deva suprir a técnica, muitos meninos rebeldes transformam suas bandas em quase empresas que buscam a todo custo um espaço no "mercado".
Esse colega sempre fez suas próprias bandas. Nunca esteve preso a estética de um movimento. Sempre escreveu suas tensões mais profundas nas letras dessas bandas e sempre cantou suas canções como um lamento. Querer mostrar aos outros esse lamento foi a coisa mais corajosa que esse rapaz já fez na vida. Ele confessou que adora tocar e sentir essa comunicação. Sei muito bem que quando ele canta suas melodias sombrias, ele está se comunicando consigo mesmo. Mas consegue sim estender esse grito a outros. O problema é que muitos outros nem sabem o que querem. Estou numa balada noturna, sempre alegres...
Eu disse isso a ele. Disse que por mais que eu também tenha respeito a uma canção que escrevo ou canto, o ambiente onde geralmente se apresenta essas manifestações é deprimente. As pessoas estão buscando a sobrevivência. Pra que reagir se é mais seguro ficar observando? Quando a polícia te dá um "enquadro" numa esquina da tua cidade e desrespeita um amigo teu com tapas e socos, você vai ficar calado pois é mais seguro. Qualquer reação significa piorar a situação...
Esse colega perguntou se eu busco outra forma de expressão e sugeriu um blog.
Desci a rua lamiada e debaixo de chuva depois dessa conversa. Fui pra casa triste por entender que há momentos na vida em que acaba o entusiasmo de conversar com o mundo. De fato só sobra a comunicação desesperada com a gente mesmo.
Um comentário:
Vc é um brincalhão brasileiro!
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