Ontem fui na estréia do Comercial na primeira divisão do campeonato Paulista de 2012. Depois de 25 anos, e muitos anos acompanhando o time nas consecutivos anos de série A-2, incluindo a campanha de 1993, quando uma mudança de regulamento transformou o nosso acesso a primeira divisão. A Jóia é nossa casa. É lá que todos nós crescemos e vivemos o futebol de verdade. O futebol interiorano, da raça, do sufoco e do amor ao time. O Futebol que pouco aparece na TV. Quantos e quantos jogos do Leão, nem mereceu pauta na poderosa mídia local. Quantos Com-fogos na séria A-2, tiveram cobertura rasa da Rede Globo. E quantas vezes, nós, torcedores do Comercial, estivemos á. Sob sol e chuva, apoiando o time nos momentos mais difíceis. Depois de anos de luta, com nova estrutura administrativa, o Leão do Norte estreia na primeira divisão do Paulista. Desses 25 anos longe da "elite" do futebol do estado, nosso estádio já teve jogos memoráveis, com casa cheia, torcida unida e bonita com suas faixas, suor e lágrimas. Cantos o e camisas alvi-negras. Foram jogos sem glória, mas a torcida dava lá. Quem se lembra daquele Comercial e Juventus pela séria A-2 de 2005 que tivemos casa lotada pelo acesso. E é claro os últimos dois anos que a torcida apoiou o time fortemente até a gloriosa conquista a séria A-1.
Ontem, na estréia do Comercial, essa apaixonada torcida recebeu pela primeira vez como retorno a ingratidão do clube. Ao entrar no Palma Travassos, deu de cara a imensas chapas de ferro cercando o nosso alambrado. O tradicional alambrado da Joia que desde sua fundação, fez dos jogos nesse estádio algo muito mais caloroso. Torcida cantando, xingando e chorando. Foi no alambrado do Palma Travassos que há anos compartilhamos as mais intensas emoções em apoio ao Leão. Choramos, ameaçamos invadir o campo, pressionamos as equipes adversárias e vivemos a melhor relação que uma torcida pode ter com se time. Tanto faz se foram momentos de cobranças ou de apoio, o fato é que estávamos lá, juntos no alambrado. Na estréia ontem, nosso estádio estava cercado por chapas, impedindo o torcedor de assistir o jogo do chão, do alambrado. O tal torcedor comercialino, cujop apoio é solicitado a todo momento pelo o presidente Lacerda em suas entrevistas nos meios de comunicação da cidade, foi tratado como gado. Não só pelas gigantescas placas estúpidas que destruiu a estética e humilhou a torcida comercialina, mas também pelo ingresso de R$40,00 impossibilitando uma estréia com casa totalmente cheia (exatamente o que iria acontecer pois foram 25 anos de espera), e os banheiros lacrados, colocando o torcedor presente no desconforto total. No caso dos banheiros, mais uma fez por medidas de segurança, a interdição fez com que mais de 15 mil torcedores tivessem que dividir quatro banheiros químicos. Fila, humilhação, um muro de aço na nossa frente nos impossibilitando de acompanhar o jogo e crianças e mulheres constrangidas tendo que dividir muitas vezes os banheiros com alguns que não conseguiam esperar a enorme fila dos homens.




Jogo do Comercial na estréia do Paulistão - ao fundo o Muro da Vergonha
Nesses pontos ainda poderia entrar na questão do time em campo. Mas sinceramente, mesmo sabendo que essa seria uma questão também importante, não vejo como a principal na estréia ontem do Comercial. Prefiro focar em outros dois pontos que são: a presença desequilibrada da polícia no campo. Diversos homens fardados com o típico ar de hostilidade. E logo ao entrar no campo, era inevitável atribuir aquele muro de aço aos valorosos homens da lei. Ao conversar com um funcionário do clube tirei minhas dúvidas. De fato, segundo aquele funcionário, as tais chapas da vergonha era exigência da polícia de Ribeirão Preto. Polícia que sabemos muito bem que há anos interfere no futebol e nos campos. Que contamina o ambiente da festa num ambiente hostil. Que pelo pretexto da segurança, humilham torcedor e define qual faixa ou bandeira você, cidadão, pode levar para o estádio. O outro ponto é a mídia. Que não noticiou nada que aconteceu nas arquibancadas. Não citou em nenhum momento a insatisfação da torcida e nem a reação dela no final do jogo. Conto isso aqui nesse texto, mas espero que muitos outros torcedores comercialinos divulguem isso, manifestem suas opiniões no facebook, twitter e redes sociais. Que publiquem fotos da vergonhoso Muro de Aço que separou a torcida de seu time. Ao terminar o jogo, num gesto totalmente espontâneo que pouco tinha haver com a derrota em campo e muito mais com o coração sentido pelo traição do clube expressa nas frias chapas de ferro, a torcida iniciou uma avalanche de chutes, socos e pontapés no muro da vergonha, e num som ensurdecedor, fez soar pela Joia até os ouvidos dos PMs e do presidente, um tambor metálico caótico da revolta. "Não somos gados", "Derrubem o muro", "Lacerda, o estádio é nosso", entre outros gritos vindo não da fúria cega por uma derrota, mas pelo mais sincero sentimento ferido. Deu início uma verdadeira onda de pontapés e sonos até que o muro da vergonha caiu. A torcida xingava, sentida e a polícia fez seu papel, agrediu. A mídia não falou nada. A Rede Globo amanhã vai fazer mais uma das suas reportagens engraçadinhas aquele filhote do Tiago Laifert e nada vai comentar sobre o torcedor. Ao sair do estádio lembrei dos tempos de segunda divisão e de quanto somos donos daquele campo. E pensei como irão conter esse sentimento integro da torcida comercialina. Colocarão mais policiais. Irão aumentar o preço dos ingressos. Ou a própria torcida, depois de anos de apoio, vai deixar o campo. Por fim, de pouco adianta jogar a primeira divisão sem participar do jogo como torcedor. Cantando, chorando e sofrendo juntos no alambrado.