Uma tarde de chuva num dia de dezembro. O céu permanecia escuro mesmo depois da chuva. Mas o sol, que ainda não havia ido embora pelo horário de verão, bate nas casas, árvores da praça e prédios. De repente a cidade fica dourada. Olho pela janela e inevitavelmente gosto daquilo. E aquele cenário calmo, com barulho normal de fim de tarde, me faz ficar diante de tudo até chegar dentro de mim. Quando me vejo, sinto falta. Essa falta é uma invenção que nasce num dia quente onde nada te conectava ao mundo. Uma inquietação que te faz virar dum lado pro outro na cama de madrugada. Procurar aquilo que você nem precisa pra colocar no lugar dos sabores que nos últimos tempos você já sabe o gosto que tem. Querer porque você sabe que pode, e isso basta por um breve momento, até sentir mais fome.Caçar o que fazer quando você pensava que teus dias estavam mesmo ocupados. Uma invenção que vem como dor nas costas quando você senta de mal jeito e só percebe quando se levanta e ela vai embora. Quando você está sozinho, e decide não querer mais se prevenir, nem preencher todo dia o vazio com planejamentos importante.
Um alguém por acaso. Um acaso que se torna necessário